Compulsão alimentar: especialista alerta para riscos e causas



Consumo de padrão de imagem corporal pode contribuir para o problema



A compulsão alimentar é considerada um distúrbio caracterizado pela ingestão exagerada de alimentos. Podendo ocorrer mesmo sem a presença de fome ou necessidade física do alimento, a pessoa compulsiva perde o controle sobre o que está ingerindo e em qual quantidade. Dessa forma, come alimentos em grandes quantidades em um curto espaço de tempo.

Rodrigo Guimarães, psiquiatra da Elpis, clínica especializada em serviço interdisciplinar de saúde mental para tratamento das adições em Salvador, explica que a compulsão alimentar pode ser definida como uma vontade irresistível de ingerir alimentos com propósito em geral de aliviar uma tensão. “A compulsão alimentar é o tipo de transtorno alimentar mais comum e pode ser definida quando o indivíduo é impelido a ingerir uma grande quantidade de alimento num curto período de tempo, sendo um padrão alimentar marcado pela perda do controle associado a sentimentos negativos consequentes ao ato”, explica.

O aparecimento do problema pode ser causado por aspectos psicobiológicos, familiares, genéticos e de funcionamento de personalidade. Fatores socioculturais também exercem uma forte influência no surgimento do quadro, como a inundação da oferta de produtos alimentícios e padrão corporal vigente. Os principais sinais de compulsão alimentar são: sensação de mal-estar ou plenitude após uma ingesta alimentar mais rápida do que o habitual, interrupção mediada por fatores externos, como a chegada de alguém ou fim dos alimentos, além de sintomas negativos após o consumo, como culpa, vergonha ou fracasso.

“Há também como sintoma a excessiva preocupação com o peso e o corpo que pode também vir relacionada a frequentes dietas restritivas. Indivíduos com frequentes episódios de compulsão tendem a ingerir uma quantidade muito superior de calorias e consequentemente a tornarem-se obesos, sendo assim os riscos estão associados a esta condição como hipertensão, diabetes e doença cerebrovascular e cardiovascular”, ressalta o psiquiatra Rodrigo Guimarães.

O tratamento se baseia em abordagens farmacológicas, através de psicotrópicos e não farmacológicas, quando a psicoterapia e outras técnicas são prescritas. Dentre as ferramentas não farmacológicas podemos destacar: diário alimentar, alimentação lenta em atenção plena, redução do armazenamento de alimentos, realização de atividade física e afastamento de dietas restritivas que busquem o emagrecimento, mas que tenha como objetivo a reeducação alimentar.

Pandemia

A pandemia contribuiu para a precipitação ou piora do quadro de indivíduos com transtornos alimentares. Segundo o especialista, é perceptível que o isolamento social necessário no combate ao vírus e a massificação da informação acerca de eventos traumáticos têm influenciado no aumento da ansiedade, no consumo de conteúdos de padrão rígidos de imagem corporal via redes sociais ou mídia, que podem impactar negativamente no sono – sendo a insônia um contribuinte de risco dos problemas alimentares.

“Se, para indivíduos sem transtornos mentais a imprevisibilidade e o desconhecimento acerca de uma nova doença que pode levar à morte, já são fatores bastante perturbadores, que dirá para grupos mais vulneráveis ao forte estresse que essa pandemia representa. Apesar de não haver estudos robustos que ratifiquem essa realidade, diversas teorias têm sido aventadas”, finaliza Rodrigo.




Kirk Moreno

Assessor de imprensa

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